SOBRE

Pensar a república

O Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (Cerbrás) foi criado no Departamento de Ciência Política da UFMG vinculado à linha de pesquisa “Teoria Política e Pensamento Político e Social Brasileiro” do Programa de Pós Graduação em Ciência Política (PPGCP), com o objetivo de possibilitar o diálogo sistemático entre professores, estudantes do mestrado e do doutorado. Na reformulação das linhas de pesquisa do Programa, ocorrida em novembro de 2015, o grupo se vincula à linha “Teorias da justiça, feminismo e pensamento político brasileiro”.

 

O grupo se ampliou e se desenvolveu em perspectiva interdisciplinar e interinstitucional e hoje reúne 10 professores pesquisadores da UFMG, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Alfenas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal de Lavras, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Fundação João Pinheiro, além de seis doutorandos e mestrandos. Do programa de pós-graduação, participam do grupo os professores Juarez Guimarães (coordenador), Fernando Filgueiras e Dawisson Belém Lopes.

 

O grupo integra uma tradição de estudos de teoria política e pensamento político brasileiro que vem se consolidando dentro do DCP desde 2001 e que se posiciona, em amplo processo de interlocução, por sua singularidade vis a vis as tradições de estudo do pensamento político brasileiro formadas na USP e no Iuperj/ IESP, em seus pluralismos e exceções. Essa singularidade se manifesta em três dimensões centrais.

 

Em primeiro lugar, no modo de enquadramento ou de crítica de autores chaves que formam o cerne das tradições ou linhagens como Oliveira Vianna/ Sérgio Buarque ou Raymundo Faoro, Celso Furtado/ Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre/ crítica à “democracia racial”, Guerreiro Ramos/ Florestan Fernandes, Wanderley Guilherme dos Santos/ Fernando Henrique Cardoso.

 

Em segundo lugar, na tematização de momentos históricos chaves como o do período chamado Saquarema de centralização do Estado nacional no século XIX ou do período varguista, além do distinto enquadramento da questão nacional ou da questão nordestina.

 

Em terceiro lugar, na questão de método, que adquire na USP e em parte do Iuperj uma tradição nitidamente sociológica ou, ainda, em outra parte do Iuperj, através de uma tentativa de enquadramento relacionado a certas tradições da teoria política democrática.

 

A singularidade dessa tradição de estudos que está sendo formada no DCP, mais tardia, tem se valido do que chamamos de “leitura do dissenso esclarecedor” para operar com novos campos de síntese, com um tratamento mais amplo de autores e tradições, com uma forte entrada dos temas do feminismo, reposicionando e revisitando impasses históricos de interpretação formados em clivagens e subculturas, mas, principalmente, operando fortemente com estudos de filosofia política, isto é, vinculando sempre o estudo do pensamento brasileiro com as grandes narrativas de formação das tradições políticas do pensamento ocidental. Temos formado um grande laboratório de polêmicas metodológicas clássicas e contemporâneas de como entender a formação histórica do Brasil, bem como praticado uma tolerância epistemológica com os debates recentes (contextualismo de Skinner, escola do político de Lefort, tradições de linguagem de Pocock, história dos conceitos, institucionalismo histórico, debates recentes da relação entre linguagem e política, uma terceira geração de estudos gramscianos), buscando incorporá-los na medida dos desafios colocados.

 

De modo diverso dos outros centros, temos procurado em várias teses e livros compreender as relações entre as tradições de pensamento e a formação das políticas públicas no Brasil. Assim, teses e livros foram produzidos sobre cultura da participação democrática, reforma agrária, Justiça de Transição, políticas de segurança pública, corrupção, sanitarismo e construção do SUS, direitos das mulheres e dos negros, direitos do trabalho, regulação democrática da mídia.

 

Em síntese, o Cerbrás está formulando uma grande narrativa histórica da formação política cultural da matriz do republicanismo democrático, bem como do liberalismo democrático em nosso país. Esta grande narrativa, que cobre da fundação do Estado nacional até o bicentenário da Independência que se aproxima – e sobre o qual estamos trabalhando –, tem sido cada vez mais o esforço que centraliza e para o qual convergem todos os esforços do rico encontro de intelectuais e pesquisadores que hoje compõem esta tradição.

 

Brasil 2022: referência de pesquisas

O tema da republicanização do país sob uma perspectiva de longa duração ancora uma das principais atividades atuais do CERBRAS, um programa de pesquisa sobre as conquistas, impasses e desafios da democracia brasileira no momento em que o país caminha para completar, em 2022, duzentos anos de independência. Uma outra linha de pesquisa, em processo de maturação, abordará a história da formação da liberdade de expressão e da opinião pública democrática em nosso país.

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